Postagens

Mostrando postagens de setembro, 2020

Marcas

 Marcas Ranhuras Rasuras Fazem o mapa do caminho que percorri desde o dia em que acreditei que o amor havia ido embora. Essas marcas também dizem do tempo, que apesar de cortar as asas do cupido, se rende as rasuras que o amor deixa em nós e, basta meia palavra, para que anos, meses, dias e horas se percam na temporalidade em que o amor está e, o que cicatrizado estava, volta a latejar. Uma vez li que “não há jurisprudência para o amor” e agora vejo que nem para as marcas que ele faz em nós. A marca da primeira mensagem A marca do primeiro story do Instagram respondido A marca do primeiro olhar A marca do primeiro encontro (que só foi desencontro) A marca do, quase, primeiro beijo Todas elas dizem daquilo que foi e, ou pior, do que quase foi. E isso é o que, das rasuras que o amor deixou em mim, mais dói. A marca daquilo que não foi dito, mas que poderia ter sido e não foi. As marcas que o amor faz em mim contam a história do caminho; do caminho que, dig...

Mystery of Love

Imagem
  Nem Afrodite ou Hefesto Nem Alcebíades ou Sócrates Nem Pátroclo ou Aquiles Nenhum deles é capaz de explicar o impossível do amor   Há algo que só Eros possui Só dele e de sua divindade é capaz de se obter E de se perder e se perder e se perder   Perder a guerra A vida A morte A eternidade   O mistério do amor que só é possível No impossível Nas palavras No ato   Elio e Oliver Romeu e Julieta Emma e Dexter Todos os amantes conhecem esse mistério   Do impossível Possível Do mistério Amor   Bendito seja O mistério do amor

O amor não nos dá garantias

  Sim, ele não nos garante nada. Amar não é sinônimo de ser amado, mas senão o desejo de ser amado. “Dar aquilo que não se tem, a quem não quer”, já dizia Lacan [1] . Freud [2] nos adverte que uma das fontes do mal estar são as relações e aqui, talvez, amar seja isso que é difícil: sustentar a diferença, abrir mão, perder. Amor não é completude, longe disso. Sinto muito, Fábio Jr, mas não há uma metade da laranja que vá completar a outra, um mais um não faz um, e sim, dois (ainda bem!). Contrariando a maioria das histórias da minha infância, o amor não garante um final feliz, ainda mais porque não se para de viver até morrer, não se para de escrever até o suspiro final e aí, quem sabe, ter um final feliz. Pode ser que o amor seja entrega, renúncia, privação, o cristianismo já se encarregou de pintar essa versão para nós. E de uma coisa sabemos, não há amor sem dor. Amar e sofrer andam lado a lado, juntinhos. Entretanto, Freud [3] , lá em 1914, já nos lembrava de que “é...

Mesmo sem garantias, ainda!

Imagem
  Mesmo que o amor não nos dê garantias, mesmo que nada esteja de fato pronto, ainda é possível se arriscar ao (des)encontro com o Outro, digo se arriscar, pois o amor é, muitas vezes, decisão e renúncia; ele é a rosa, mas não sem espinhos. E mesmo onde há a promessa de facilidade, parece não ser assim tão fácil, não é assim “tão” garantido, porém não é impossível. Ele continua ali, nas coisas, como Erixímaco disse no Banquete e do caos vem a harmonia, talvez do desencontro venha o que é possível. Parece estranho, mas ainda com o médico filósofo, o amor traz harmonia e faz isso dos opostos e nas entrelinhas. Muitas vezes bem diferente do que nos conta Aristófanes, da busca incessável e constante pela metade que um dia foi perdida e, para além do poeta, estamos sempre as voltas com essa lógica do amor que traz completude, dos felizes para sempre hollywoodiano. Porém, pode ser que o amor esteja mais no talvez, no grande talvez da vida, exatamente naquilo que não nos dá garantias,...