Marcas
Marcas
Ranhuras
Rasuras
Fazem o mapa do caminho que percorri desde o dia em que
acreditei que o amor havia ido embora.
Essas marcas também dizem do tempo, que apesar de cortar as asas
do cupido, se rende as rasuras que o amor deixa em nós e, basta meia palavra,
para que anos, meses, dias e horas se percam na temporalidade em que o amor
está e, o que cicatrizado estava, volta a latejar.
Uma vez li que “não há jurisprudência para o amor” e agora
vejo que nem para as marcas que ele faz em nós.
A marca da primeira mensagem
A marca do primeiro story do Instagram respondido
A marca do primeiro olhar
A marca do primeiro encontro (que só foi desencontro)
A marca do, quase, primeiro beijo
Todas elas dizem daquilo que foi e, ou pior, do que quase
foi.
E isso é o que, das rasuras que o amor deixou em mim, mais
dói.
A marca daquilo que não foi dito, mas que poderia ter sido e
não foi.
As marcas que o amor faz em mim contam a história do caminho;
do caminho que, digo a mim mesmo, é possível seguir.
O amor sempre salva, é nisso que escolhi acreditar e
depositar a minha salvação, porém não sem marcas.
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